Planejamento Forrageiro: Como fazer.
- Emdeagro

- 23 de mai. de 2022
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Por Glauber Monteiro da Silva - 23 de maio de 2022

Um grande desafio para o pecuarista é combinar a demanda de forragem com a oferta, onde temos no período chuvoso maior produção, e no período seco menor produção de forragem. E uma excelente ferramenta para equilibrar a demanda com a produção é o planejamento forrageiro, onde pode-se avaliar avaliar no período de maiores ofertas de alimentos com a demanda, e a produção de forragem para estocar e ser
fornecida no período de escassez.
Primeiramente para iniciar o planejamento forrageiro é ter em mãos informações do sistema de produção, para isso devemos ter as respostas para as perguntas listadas abaixo.
1° Como será ofertado o volumoso a ser estocado?
No Brasil, temos inúmeros sistemas de produção, a pasto, confinamento, semi-confinamento, e muitos dos sistemas de produção a pasto, ou semi-confinamento necessitam de uma suplementação extra no período seco com volumoso, ofertando um "lanche" aos animais de produção.
E no planejamento forrageiro é importante uma definição de como será ofertado esse volumoso, e estimar quantos kg será ofertado/animal/dia, e multiplicar pelo tempo de oferta.
Por exemplo: Fazenda A, tem 50 vacas em lactação a pasto e necessita ofertar 15 kg de silagem durante 6 meses/ano no período de escassez, quantos kg de silagem será necessário?
50 vacas x 15 kg = 750 kg de silagem/dia
750 kg x 30 dias = 22.500 kg de silagem/mês
22.500 x 6 meses = 135.000 kg de silagem
2° A qual categoria animal será ofertado o volumoso a ser estocado?
Este também é um ponto importante a ser considerado, pois a depender da Fazenda e do sistema de produção teremos uma grande variação na demanda de forragem, pois existem Fazendas de Leite e Corte que fazem suas recrias totalmente a pasto como também existem Fazendas de Leite que tem suas recrias em Compost Barn ou em um semi-confinamento dependendo de silagem.
Com a variação de oferta de forragem que temos, no planejamento forrageiro devemos saber a qual categoria terá um complemento na dieta com oferta de silagem ou se será 100% confinado, como no exemplo abaixo:
Vacas em lactação: 100% confinadas
Vacas secas: Totalmente a pasto
Vacas no pré-parto: Semi-confinamento, 15 kg de silagem + pasto
Novilhas em reprodução: Semi-confinamento, 10 kg de silagem + pasto
Novilhas jovens: Totalmente a pasto
Crias: Aleitamento + oferta de silagem a vontade
Com estas informações bem definidas em mãos, podemos decidir o quanto de pasto e volumoso estocado devemos produzir.
3° Calcular a variação do rebanho e o volume forragem a ser produzido durante toda a safra.
O calculo correto da variação de animais durante toda a safra é uma conta importante para que seja possível calcular corretamente a demanda de alimentos para um rebanho.
A Fazenda abaixo terá um aumento significativo no número de vacas em lactação, a mesma, oferta silagem apenas para as vacas em lactação, de Agosto a Janeiro (6 meses/ano) e de Fevereiro a Julho oferta a pasto de sequeiro.

3.1 Demanda de silagem
Então o calculo da demanda de silagem seria o número de vacas x quantidade de silagem a ser ofertada x p número de dias a ser ofertado, ficando da seguinte forma:

Um ponto importante a considerar, é que a quantidade encontrada de silagem (645.750 kg) é a quantidade de silagem fermentada, e não a produzida, devemos considerar as perdas por fermentação e as perdas na colheita, podemos considerar 20% de perdas totais tendo as mais perfeitas condições de colheita e fermentação, então para encontrar o volume total a ser produzido devemos fazer uma regra de três, onde:
80% - 645.750 kg
100% - x
x = (100 x 645.750) / 80
x = 807.000 kg de silagem
3.2 Demanda de pasto
Na produção a pasto, com a sazonalidade de produção de pasto, devemos respeitar as principais premissas de manejo, taxa de lotação, altura de entrada e saída nas áreas, entre outras, para sabermos a necessidade de área de pasto devemos avaliar a variação da taxa de lotação durante o ano. Para isto devemos calcular a variação de animais e as categorias que terão acesso ao pasto durante o ano, calcular quantas Unidade Animal (UA) temos no rebanho. Uma UA um bovino de 450 kg
30 Vacas secas média de 500 kg = 15.000 kg/450 kg = 33 UA
30 Novilhas em reprodução média de 310 kg = 9.300 kg/450 = 20 UA
30 Novilhas jovens média de 230 kg = 6.900 kg/450 = 15 UA
Um total de 68 UA.
4° Área necessária para produção de forragem
Para encontrarmos a área necessária para produção de forragem, devemos considerar a demanda de matéria seca, tanto de pasto como de silagem.
4.1 Área para silagem
Para encontrar a área para produção de silagem devemos saber o volume de silagem a ser produzida, iremos utilizar o exemplo citado acima, com produtividade média de 23 t/ha em sistema de sequeiro, faremos os seguintes cálculos.
23 t - 1 ha
807 t - x
x = (807 x 1) / 23
x = 35 hectares para produção de silagem
4.2 Área de pastagem
Para encontrarmos a área necessária de pastagens devemos avaliar a qualidade do pastos, o manejo que tem nesta pastagem, se está degradado, se está em formação ou já estabelecida, se é ainda área de mata sem pastagem formada, devemos avaliar isto para saber a área necessária, onde temos uma grande variação na taxa de lotação de acordo com a época do ano e o tipo de pastagem e o manejo que nela é realizado.
Na fazenda que estamos exemplificando, trabalhamos com uma pastagem de capim Massai em sistema de sequeiro, com boas condições de solo, onde temos excesso de pastagem nos meses de abril e maio (pico das chuvas na região) e ensilado parte deste capim, podemos ter em média anual, 1,94 UA/ha, então a área total para este rebanho de 68 UA que vimos acima, devemos ter 35 ha de pastagem. Considerando pastagem nativa sem nenhum manejo, a área necessária para este mesmo rebanho seria de 70 ha.
Considerações finais
Após ter todas essas informações em mãos e bem organizadas, o produtor ou técnico já tem parte do planejamento forrageiro feito, agora é executar o planejamento feito, ter atenção com todas práticas agrícolas e técnicas agronômicas para que tenha sucesso no execução, importante que se tenha um profissional especialista e capacidade para acompanhar a todo o processo, do planejamento a execução e analise dos resultados.
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Sobre o Autor

Sou Tecnólogo em Agronegócio pela faculdade CENTEC, mestre em Produção Animal pela Universidade Federal Rural do Semiárido - UFERSA, sócio administrador da Emdeagro, consultor em pecuária de leite e corte.



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